Tuning, ou a hipocrisia do salve-se quem puder
Boa Noite.
Chega uma altura em que a saturação nos leva a ponto de ebulição e estas linhas que aqui escrevo são o meu. Não espero respostas nem sequer polémicas, apenas um canto onde desabafar toda esta raiva que sinto.
Para mim, o nascimento do tuning" dá-se com a era Hot Rod nos Estados Unidos, em que o carro do dia a dia em pouco mais de 1 hora se transformava num carro de competição em corridas amadoras nas planícies salgadas de Bonneville - quem viu o documentário sobre a Edelbrock, por exemplo, percebe. Atravessa a era musclecar, onde, em cima dos descomunais motores de Detroit se carregavam cavalos à manada com relativa facilidade. …e retoma em força no início dos anos 90 com uma democratização de conceitos - tudo vale…bom ou mau.
Nunca associei o tuning a alterações estéticas, sempre tive o automóvel como a máquina que ele é, pelo que sempre priviligiei a componente mecânica face à estética.
Ainda ontem, enquanto lia a Banzai, senti-me acompanhado quando se escreve: "Prime consideration for Russel was actually tuning rather than styling".
Tão simples…tuning na mecânica e styling na estética. É chamar os bois pelos nomes…literalmente!… e ajuda ao meu ponto.
Hoje em dia, fruto de uma má política legislativa - ou falta dela - em relação ao tuning, deparo-me com uma hipócrisia gritante: Parece que o tuning, aquele que trata a máquina, é automaticamente conotado com práticas menos lícitas na via pública, ao passo que o styling se arrogou à posição do tuning, afirmando-se como o pleno e único tuning…quando não passa de … estilizar. Nada mais falso e oportunista.
Deparamo-nos com líderes associativos que se referem ao tuning como tendo duas componentes, uma mecânica - má, automaticamente associada a práticas criminosas na via pública - e uma estética - essa sim, boa e mansa…quando nem tuning é.
Em cima disso lê-se numa T-Shirt comercializada por uma revista da praça: "Eu não acelero"… Tu não aceleras?? Tu não pensas! Nem me refiro ao componente literal do acelerar e movimentar-se, mas sim aquela discriminação que se aposta fortemente para….safar o tacho…basta passar os olhos pelas descrições técnicas dos carros apresentados nas … reportagens.
O que penso disto tudo? Não interessa minimamente, mas digo na mesma: Um automóvel faz-se para andar! Compra-se para andar! muito, pouco, mais depressa ou mais devagar…interessa que ande bem. De resto, se os adeptos do styling se sentem tão ressentidos por serem confundidos com os criminosos da estrada, tenho a solução:
Homologuem-se as alterações mecânicas, apenas e só! Alteração estética não é tuning, é arte. Arte faz-se para ser observada e apreciada, não para circular. Proiba-se a circulação das viaturas do stylng e legalize-se, homologando, a prática que de facto tem relevo para a circulação.
Automóveis na estrada, obras de arte nas galerias.
Obrigado pela atenção, as minhas desculpas pelo enfado.
raggs
Abraço
- opiniões | Time: 11:48 pm (UTC+8) Comments (2)



